Quando se trata de cometer crimes baseados em tecnologia, a primeira coisa que vem à mente é o cibercrime. Embora uma discussão completa sobre o cibercrime esteja fora do escopo deste relatório, todos os envolvidos com autoridades legais e segurança devem estar cientes de que está se tornando mais audacioso, com ataques altamente focados e planejados, resultando em sérios danos a alvos importantes com fins lucrativos. 17 Um dos fenômenos observados pelo relatório State of Crypto Crime é o crescimento do modelo de negócios “Crime como Serviço”, particularmente visto na modalidade de Ransomware como Serviço (RaaS). Hackers sofisticados usam a darknet para literalmente alugar malware fácil de usar para novatos, ao mesmo tempo que ficam com uma parte dos lucros. Isso elimina a necessidade de know-how e infraestruturas de cibercrimes que os GCOs precisavam no passado se quisessem lucrar com o ransomware; hoje, qualquer pessoa pode iniciar no cibercrime com um investimento mínimo. Além disso, de acordo com a Europol, o crime como serviço fica mais difícil para as autoridades legais detectarem e resulta em penas mais brandas do que as formas tradicionais de atividade criminosa. 18 O cibercrime representa um mercado lucrativo para os GCOs tradicionais, uma vez que as barreiras de entrada são muito baixas. Ou seja, o crime organizado e grave está sendo transformado pela “integração dos sistemas digitais em muitas atividades criminosas e pela expansão do comércio online de bens e serviços ilícitos.” 19 Por exemplo, a engenharia social é uma estratégia de alta tecnologia - usando e-mail ou outra comunicação online - que os criminosos estão aproveitando para perpetrar fraudes de seguro. Conforme relatado em uma audiência de 2017 do governo dos EUA, "à medida que a tecnologia melhora, os fraudadores aprimoram as formas de se sofisticar e cometer esses crimes". 20 As mesmas técnicas de engenharia social também estão se tornando predominantes em outras áreas altamente lucrativas, como a fraude de investimentos. 21 Como muitos varejistas tradicionais descobriram nas últimas duas décadas, a expansão para o ciberespaço faz sentido porque permite que eles acessem novos mercados e permaneçam competitivos, viabilizando sua permanência no mercado quando muitos outros varejistas não sobreviveram à globalização. A mesma lógica se aplIca para os GCOs que estão movendo suas atividades para o ciberespaço. USO DE TECNOLOGIA PARA COMETER ATIVIDADES CRIMINAIS 17 https://www.europol.europa.eu/newsroom/news/fighting-cybercrime-in-connected-future 18 https://www.europol.europa.eu/sites/default/files/documents/Europol_OrgCrimeReport_web-final_0.pdf 19 https://www.tracit.org/sectors.html 20 https://www.govinfo.gov/content/pkg/CHRG-115shrg34303/pdf/CHRG-115shrg34303.pdf 21 https://www.europol.europa.eu/activities-services/main-reports/internet-organised-crime-threat-assessment-iocta-2019 Comércio Ilegal Crime como Serviço (CaaS) Ransomware como Serviço (RaaS) Engenharia Social Redes de Comando e Controle 8